Um mundo no meu mundo
domingo, 19 de agosto de 2012
Na maior parte das vezes, aquilo que você mais quer é aquela coisa que você não pode ter. O desejo nos parte o coração, nos esgota. O desejo pode ferrar com tua vida. E por mais duro que seja querer muito uma coisa, as pessoas que sofrem mais são aquelas que sequer sabem o que querem.
Como saber quanto é demais?
Demais, cedo demais. Informação demais. Paixão demais, ou demais pra se pedir de alguém? Quanto é demais de tudo pra que consigamos suportar?
Não importa o quanto algo nos machuca, às vezes se livrar dele dói mais ainda..
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Hoje foi tão duro. Não sei de onde tirei tamanha força. Hoje eu me sinto tão incompleta, desamparada, desconfiada,desiludida..
Mas não tenho deixado de seguir, a passos lentos,mas eu tenho me empenhado.
Terminar uma relação não é nada fácil. Você não abre mão só daquela pessoa, mas de todos os sonhos que sonhou junto e não realizou, os momentos de amizade e desabafo, revê fotos e sabe no fundo,que aqueles momentos não voltarão. É um momento de luto, introspecção. Eu o amei muito. Não preciso que as pessoas comprovem isso ou não ao ouvir minha história. Aqui dentro eu sei, eu o amei. Eu acho que eu o amei da forma mais bonita que já consegui até hoje, eu o amei por escolha, por carinho, afetuosidade, por cuidado, responsabilidade.. Eu cometi inumeros erros! Minha personalidade impulssiva contribuiu muito, mas em tantos momentos eu fui digna àquele sentimento.
A gente sempre espera que as relações acabem da maneira mais comum: desgaste, brigas, e até o chegado momento: "não te suporto! quero viver mnha vida!" Isso não aconteceu conosco. Estávamos em uma fase equilibrada da relação,sem brigas, naquela fase acomodada,mas nem por isso ruim.
Talvez seja impressão minha, e eu nem percebia que por dentro, algo estava vazio.. A questão hoje é: eu não o deixei preencher o espaço? Perguntas que só o tempo vai dizer.
Minha dor é intensa. Eu tenho feito tanta coisa, mas nada me preenche tanto quanto essa dor. Não é uma dor desesperada nem que me faz derramar lágrimas.. É tão ruim quanto. É a dor da impotência, da falta de controle e de medo do futuro.
No fundo, eu tenho medo dessa escolha. Tenho medo dos meus impulssos. Dói poque não quero vê-lo sofrer..embora sempre seja assim: ou um dos dois sofrem, ou os dois.
Minha escolha foi segurar as pontas por ele, acalmando-o, e prometendo-o que ficaremos bem com o tempo (mesmo sem saber). É um processo. Duro, lento e sensível.
É uma responsabilidade. Com sua dor, com a dor do outro.
Quem é essa pessoa ao meu lado? Porque diz que já está apaixonado? Me assusta! E quão ambiguo é: Me aproxima e me afasta. Não sei porque desconfio..Talvez pela culpa de estar tendo momentos de alegria e depois, sozinha, indo de encontro à minha dor que permanece lá.. São tantas coisas aqui dentro e eu nem sei..
Permaneço aqui, imóvel..Com o coração desconfiado e dolorido.
domingo, 1 de julho de 2012
A tristeza permitida
Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador, sair pra compras e reuniões – se eu disser que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem pra sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como?
Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer pra eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra.
Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra.
A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro de nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido.
Depressão é coisa muito séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente – as razões têm essa mania de serem discretas.
“Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não me importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago da razão/ eu ando tão down...” Lembra da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.
Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos.
Esse texto não é meu. Mas é tudo o que eu gostaria de dizer agora. A autora é a Martha Medeiros.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Diante de toda a minha covardia em tomar uma decisão, eis que encontro esse texto:
"Só quem está disposto a perder tem o direito de ganhar. Só o maduro é capaz da renúncia. E só quem renuncia aceita provar o gosto da verdade, seja ela qual for.
O que está sempre por trás dos nossos dramas, desencontros e trambolhões existenciais é a representação simbólica ou alegórica do impulso do ser humano para o amadurecimento.
A forma de amadurecer é viver. Viver é seguir impulsos até perceber, sentir, saber ou intuir a tendência de equilíbrio que está na raiz deles (impulsos). A pessoa é impelida para a aventura ou peripécia, como forma de se machucar para aprender, de cair para saber levantar-se e aprender a andar. É um determinismo biológico: para amadurecer há que viver (sofrer) as machucadelas da aventura e da peripécia existencial.
A solução de toda situação de impasse só se dá quando uma das partes aceita perder ou aceita renunciar (e perder ou renunciar não é igual, mas é muito parecido; é da mesma natureza). Sem haver quem aceite perder ou renunciar, jamais haverá o encontro com a verdade de cada relação. E muitas vezes a verdade de cada relação pode estar na impossibilidade, por mais atração que exista. Como pode estar na possibilidade conflitiva, o que é sempre difícil de aceitar.
Só a renúncia no tempo certo devolve as pessoas a elas mesmas e só assim elas amadurecem e se preparam para os verdadeiros encontros do amor, da vida e da morte. Só quem está disposto a perder consegue as vitórias legítimas.
Amadurecer acaba por se relacionar com a renúncia, não no sentido restrito da palavra (renúncia como abandono), porém no lato (renúncia da onipotência e das formas possessivas do viver).
Viver é renunciar porque viver é optar e optar é renunciar.
Renunciar à onipotência e às hipóteses de felicidade completa, plenitude etc é tudo o que se aprende na vida, mas até se descobrir que a vida se constrói aos poucos, sobre os erros, sobre as renúncias, trocando o sonho e as ilusões pela construção do possível e do necessário, o ser humano muito erra e se embaraça, esbarra, agride, é agredido.
Eis a felicidade possível: compreender que construir a vida é renunciar a pedaços da felicidade para não renunciar ao sonho da felicidade."
domingo, 17 de junho de 2012
O meu coração tem batido apressado, parecendo querer sair pela boca.. As minhas mãos estão geladas..Meu estômago está embrulhado. Aparentemente esses seriam sintomas de doença, antes fossem.. Ou talvez, isso realmente seja alguma doença do "ser".
Meu coração não encontra abrigo. Eu ando sem querer tomar decisões, com medo de tudo, tendo picos entre alegrias e tristezas.
Não consigo me concentrar. Trabalhos por fazer.. Tudo ficou acumulado.
O que eu faço? Eu pareço querer um sinal..
Como se os sinais que tem vindo não fossem evidentes. Meus sentimentos estão muito confusos. Eu não acho um meio termo. Eu não posso mais carregar isso..
Eu não posso mais fingir que nada ta acontecendo. Não sei o que fazer..
Queria conversar com alguém agora..alguém que não me julgasse. Na verdade, eu queria que tudo isso não existisse mais. Parece que eu sempre acabo jogando tudo pela janela, lançando minha sorte.. Hoje eu necessito da única coisa que eu não tenho há semanas: Paz de espírito.
Hoje eu encontrei duas músicas de um mesmo artista que falam por mim:
"Solidão, o silêncio das estrelas, a ilusão Eu pensei que tinha o mundo em minhas mãos Como um deus e amanheço mortal E assim, repetindo os mesmos erros, dói em mim Ver que toda essa procura não tem fim E o que é que eu procuro afinal? Um sinal, uma porta pro infinito, o irreal O que não pode ser dito, afinal Ser um homem em busca de mais, de mais... Afinal, como estrelas que brilham em paz, em paz..."
"Daqui desse momento Do meu olhar pra fora O mundo é só miragem A sombra do futuro A sobra do passado Assombram a paisagem. Quem vai virar o jogo E transformar a perda Em nossa recompensa Quando eu olhar pro lado Eu quero estar cercado Só de quem me interessa. Às vezes é um instante A tarde faz silêncio O vento sopra a meu favor Às vezes eu pressinto e é como uma saudade De um tempo que ainda não passou Me traz o seu sossego Atrasa o meu relógio Acalma a minha pressa Me dá sua palavra Sussurra em meu ouvido Só o que me interessa. A lógica do vento O caos do pensamento A paz na solidão A órbita do tempo A pausa do retrato A voz da intuição A curva do universo A fórmula do acaso O alcance da promessa O salto do desejo O agora e o infinito Só o que me interessa."
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Hoje eu senti vontade de partir.. ou mesmo por um momento desejei ser invisível..apenas para observar todos, sem ser vista.. Hoje eu quis tanto isso.
Hoje eu não sei o que fazer. Eu não sei o que dizer, não sei o que eu quero
Como dói..
Eu nunca quis te fazer sofrer, mas eu estou, eu sei..
As coisas não estão fáceis para nós, eu não culpo você.. A culpa é toda minha..
Você sim merece ser feliz
Alguem como eu não deveria estar te privando disso.
Você é incrivel.
Tão incrivel..
Mas eu não consigo mais..
Não leve a mal
Eu nunca sei o que fazer..
Uma vez eu ouvi dizer que algumas pessoas simplesmente não nascem com sorte para o amor.
Eu não sei,
eu tive a sorte de te encontrar e conhecer algo puro e bonito, mas eu não consigo ser estável
A culpa é minha
Me entenda. Ou me odeie.
Eu não sei o que sentir por mim.
Eu preciso sair daqui
Eu não estarei em fuga
Eu estarei indo buscar o resto do que sobrou de mim..
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